13 de maio, com a visita do Papa no Brasil, a sensação que temos é de que todos os problemas desapareceram. Até quando? Não sabemos. Ou melhor, deixa Vossa Santidade retornar ao Vaticano, que cairemos na real, de que a Câmara dos Deputados acabou de aprovar o aumento de seus salários.
13 de maio, dia da abolição da escravatura. E aí, será que vivemos realmente numa sociedade livre?
Façamos uma reflexão sobre o assunto, a partir dessa poesia de Creuza Silva, quilombola que tive o prazer de desfrutar de sua companhia no Encontro de Mulheres Pescadoras do Arquipélago do Bailique, em maio passado.
Escravo do chão
Acabou a escravidão
Mas somos escravos do chão
De janeiro a janeiro
O negro trabalha o ano inteiro
De sol ao relento
Na chuva no vento
Pra ganhar o sustento
A vida na roça não é nada legal
Quando não faz farinha, mas corta pau
A mão calejada da vida roçal
Limpa a terra se não o mato serra
Cava o buraco, planta a maniva
Espera um ano para ensocar
Enquanto isso, no lago vai pescar
O processo da farinha é longo e pesado
O negro agüenta está acostumado
A vida na roça é vida de cão
Planta, capina, não tem solução
Não somos escravos de branco
Mas somos escravos do chão.
|
||||
![]() | ||||
![]() | ||||
![]() | ||||
|
||||