A TORNA DA OPERAÇÃO

 

Não me causou nenhuma surpresa às prisões deflagradas pela operação Antídoto II, dos Exs-Secretário de Saúde Uilton Tavares e sua esposa Fabíola e de Abelardo Vaz, nessa 3ª feira, 27 de março.

O povo que foi pego com a boca na botija pela operação Antídoto I, não agüentou a pressão e começou a vomitar nomes, procedimentos, valores das propinas, destinatários, etc. É bom que se diga, parte dos nomes e parte dos esquemas, pois que tem, muita gente graúda envolvida nessa roubalheira toda, eu não tenho nenhuma dúvida.

As conversas nos botequins da cidade apontam tanto desvio de recursos públicos que até Deus duvida da cara de pau dos homens que estão ou que usam do poder para enriquecerem ilicitamente.

Minha descrença e desilusão com meu Estado só faz aumentar. Temo pelos meus filhos, que nasceram e pretendem continuar residindo aqui.

Fico a me perguntar: O que será de nosso pobre Amapá?  Os ladrões se proliferam não mais nas baixadas, nas periferias, mas nas secretarias, nas autarquias e fundações do governo do Estado, e/ou dos Municípios.

Certa vez, ouvir em algum lugar que a Justiça é a guardiã da sociedade. Será que a pessoa que fez essa afirmação não se equivocou não? Ou será que quando ela disse que a Justiça é a guardiã da sociedade, ela não pensou apenas na sociedade como aquela classe que está no poder e que por ser assim, tem todo poder, inclusive de roubar e ainda mandar prender quem reclamar?  

O Governador Waldez Góes, quando assumiu o Estado em 2003, em seu discurso prometeu que faria todo o esforço para manter a harmonia entre os poderes, preconizada na Constituição.

Sabemos que a harmonia prevista na CF, é no sentido de que nenhum poder se sobreponha ao outro, mas essa de que um poder se cala para o outro, por que o juiz tal negociou o emprego da esposa com o secretário tal, o conselheiro tal empregou a filha do juiz tal e o juiz tal, o filho do conselheiro fulano de tal,  do deputado fulano de tal, do vereador beltrano e por aí a fora, isso não é harmonia não, é  subserviência, conivência de um poder para com o outro.

O silêncio  da Justiça, e a inércia do Governador no combate  da corrupção  que assola nosso Estado envolvendo políticos e funcionários do alto escalão do governo, me levam a pensar que se nossa guardiã está adormecida, só nos resta uma saída: deixarmos nosso egoísmo, nosso conformismo, e ganharmos às ruas num manifesto “abaixo à corrupção”. Faremos isso ou tudo definitivamente estará perdido.

Em breve teremos mais uma eleição para Prefeito.

E aí, quem vai decidir?

Será o dinheiro desviado da saúde, da educação e de outros setores, que será utilizado pra comprar a consciência mais uma vez do nosso povo? Será o asfalto sonrisal, ou as carradas de aterros que serão despejadas nas baixadas?

Com a palavra, nossa guardiã a “DONA JUSTIÇA!”

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